Inspirado na mitologia e no folclore eslavos, YAR: Forgotten Throne é um RPG de ação em mundo aberto desenvolvido pela Honor Games e publicado nos consoles pela Axyos Games Entertainment LLC. Ambientado nas misteriosas terras de Borea, o jogo coloca os jogadores em uma jornada para descobrir a origem de uma escuridão que está corrompendo as florestas, os animais e tudo ao seu redor.
Dados básicos

- Desenvolvedora
- Honor Games
- Distribuidora
- Axyos Games Entertainment LLC
- Gênero
- RPG de ação / Mundo aberto
- Jogadores
- 1
- Plataformas
- PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (Steam)
- Lançamento
- 3 de abril de 2026 (PC), 14 de outubro de 2026 (Consoles)
- Versão analisada
- PlayStation 5
Análise realizada na versão de PlayStation 5, com uma chave de avaliação fornecida pela distribuidora.
A mitologia eslava reúne histórias sobre divindades, espíritos da natureza e criaturas sobrenaturais. Pouco explorada nos videogames quando comparada às mitologias grega e nórdica, inspirou obras como The Witcher, que combina esse folclore com tradições de outras regiões europeias. YAR encontra identidade nessa combinação de fantasia e mistério. Apesar da proximidade temática com The Witcher, a jogabilidade lembra mais clássicos como Gothic e Risen, pela importância da exploração, da progressão e das interações com o mundo.
Ao tentar recuperar a liberdade e a simplicidade desses jogos, YAR acaba deixando de lado algumas funcionalidades que se tornaram praticamente indispensáveis nos RPGs modernos. O resultado é uma aventura com boas ideias, um mundo interessante e bastante conteúdo, mas que também exige uma boa dose de paciência dos jogadores.

A primeira cidade do jogo, Torzhok. Uma ambientação simples, mas funcional.
Imagem: página do jogo, PlayStation Store
Um mundo que recompensa a exploração
Um dos maiores acertos de YAR: Forgotten Throne é seu mundo aberto. Borea parece habitada e recompensa a curiosidade: durante minha experiência, praticamente todos os NPCs com quem conversei ofereciam missões. Visitar uma região ou conversar com alguém frequentemente abre novas atividades.
O jogo anuncia mais de 100 missões. Embora nem todas sejam elaboradas, elas evitam a sensação de um mundo vazio. Algumas consideram os atributos: para mover uma carroça, por exemplo, é preciso ter Força suficiente. Atributos também interferem na abertura de baús, no uso de equipamentos e no aprendizado de habilidades.
Assim, a evolução do protagonista tem consequências para além dos combates.

Parte de uma missão em que é necessário possuir o atributo Força exigido para prosseguir.
Imagem: Fabula Brasillis
Entretanto, algumas missões parecem exigir capacidades que ainda não estão ao alcance do jogador naquele momento da aventura. Embora seja aceitável encontrar desafios que precisem ser deixados para depois, o jogo nem sempre comunica essa situação adequadamente.
Mineração, fabricação e construção
Além dos combates, há mineração, corte de árvores, ferraria, alquimia, culinária, pesca e encantamento. A mineração é liberada em uma missão do ferreiro e, junto à coleta de madeira, amplia as possibilidades de obter materiais.

O sistema de coleta é simples, mas funciona. Nem todas as árvores podem ser cortadas, somente árvores específicas.
Imagem: Fabula Brasillis
As primeiras horas são difíceis, com poucos recursos e equipamentos. À medida que novas atividades são desbloqueadas, a aventura fica mais acessível e a evolução se torna gratificante. O jogo, porém, explica pouco sobre a importância dessas profissões. Também é possível construir casas fora das cidades da história principal e comprar receitas de fabricação com NPCs, incentivando a exploração e a interação com comerciantes.

Após comprar a receita de construção, você pode abrir o menu circular de criação de casas e, se tiver os materiais, começar a construir seu próprio lar.
Imagem: Fabula Brasillis
Coleta, fabricação e construção ampliam as possibilidades de aproveitar Borea mesmo longe da campanha principal.
Liberdade demais, orientação de menos
Ao buscar liberdade quase total, YAR revela uma de suas maiores fragilidades. O jogo parece querer ensinar a pescar em vez de dar o peixe, mas às vezes esquece de fornecer até mesmo a isca.
Descobrir sistemas por conta própria pode ser gratificante, mas não explicar o básico, não. YAR introduz o combate, mas deixa quase sem orientação a evolução, os atributos e outras mecânicas essenciais. Em vez de distribuir atributos diretamente no menu, o jogador acumula experiência e pontos de treinamento e precisa encontrar NPCs capazes de aprimorar suas características. Um desses NPCs é Ratmir. Pela opção “Ensine-me”, ele permite aumentar a Destreza em um ponto por uma unidade de treinamento e 250 moedas de ouro.

Em nenhum momento o jogo explica sobre o sistema de evolução. Se você não costuma clicar em todas as opções de diálogo, talvez nunca descubra como evoluir.
Imagem: Fabula Brasillis
A busca por treinadores incentiva a exploração, mas o jogo não explica sua importância. Assim, é possível acumular pontos por bastante tempo sem saber como usá-los. Isso importa porque os atributos têm funções variadas: Força pode ser exigida em equipamentos e interações; Destreza influencia arcos e a abertura de alguns baús trancados. Certas habilidades exigem atributos mínimos, e poções, equipamentos e pedras rúnicas oferecem outras formas de fortalecimento.
Encontrar treinadores específicos pode ser difícil até mesmo com ajuda da comunidade. Um tutorial após o primeiro nível e descrições claras dos atributos já resolveriam boa parte da confusão, sem revelar onde estão todos os NPCs. O jogador não precisa conhecer a localização de todos os treinadores, mas deveria entender desde cedo que procurá-los faz parte da progressão.
Dois mapas, mas pouca orientação
A navegação também deixa a desejar. Há dois mapas à venda: um apresenta o mundo de forma rudimentar e o outro indica pontos de mineração. Faltam, porém, informações claras sobre a posição do personagem e ferramentas para acompanhar objetivos.


Os dois mapas do jogo, disponíveis para compra em Torzhok. Mesmo assim, não são mapas simples de utilizar.
Imagem: Fabula Brasillis
Uma longa lista de missões pode ocupar a lateral da tela, mas os objetivos nem sempre se relacionam claramente aos locais que precisam ser visitados. Há informação em excesso e orientação de menos. A exploração não precisa ser totalmente guiada: indicadores e marcadores opcionais preservariam a liberdade de quem prefere descobrir os caminhos sozinho.
Um mapa mais funcional, um registro de missões melhor organizado e tutoriais escritos já tornariam a experiência menos frustrante.
Um combate que precisa de polimento
YAR apresenta três caminhos principais: Guerreiro, Arqueiro e Mago (chamado de Volkhv, ligado à magia e às tradições espirituais eslavas). Há habilidades, equipamentos e progressão, mas os confrontos seguem uma estrutura simples, próxima à dos RPGs de ação antigos.
A simplicidade não é o problema, mas a execução. Os movimentos parecem travados e a locomoção lembra, em certos momentos, os controles do tipo tanque dos primeiros Resident Evil. Não se trata do mesmo sistema de controle: é a sensação de rigidez. Em Resident Evil, ela ajudava a criar tensão, mas em um RPG de ação e exploração isso atrapalha ações cotidianas.

A batalha do jogo pode ser complicada de aprender, e lutar com mais de um inimigo ao mesmo tempo pode ser perigoso.
Imagem: Fabula Brasillis
No PS5, o botão círculo serve tanto para esquivar quanto para saltar, dependendo da movimentação do analógico esquerdo. No calor do combate, é comum saltar sem querer ao tentar desviar, ficando vulnerável aos inimigos. Uma ação defensiva precisa responder de modo consistente. Caso contrário, o jogador perde confiança nos comandos.

Um exemplo de salto involuntário ao tentar utilizar a esquiva.
Imagem: Fabula Brasillis
Os ataques também carecem de peso e precisão. A dificuldade, inicialmente elevada, diminui depois que o jogador libera recursos e opções de fabricação. Essa curva pode ser proposital e até gratificante, mas a orientação insuficiente torna as primeiras horas mais difíceis do que precisariam ser. O combate ganharia muito com respostas e movimentos mais precisos.
Uma experiência que ainda precisa de ajustes
Além do combate, a versão de PlayStation 5 apresenta outros problemas relacionados à interface, à localização e ao acabamento técnico.
YAR parece ter sido pensado principalmente para mouse e teclado, algo perceptível até pelos ícones de mouse que ainda aparecem em algumas interfaces da versão de PlayStation 5. Em vez de uma navegação plenamente adaptada ao controle, boa parte dos menus depende de um cursor, inclusive para selecionar itens e opções. Há uma facilidade: ao posicioná-lo sobre uma janela com barra de rolagem, é possível usar as direções para cima e para baixo do direcional em cruz para percorrer o conteúdo. Ainda assim, a dependência do cursor torna as interações frequentes menos práticas.

O menu é simples, mas pouco intuitivo, e os problemas de localização prejudicam a exibição dos textos.
Imagem: Fabula Brasillis
O comércio torna a falta de praticidade ainda mais evidente: não há opção simples para vender toda a quantidade de um item, e a loja parece uma extensão do próprio inventário, o que confunde a navegação.

O menu de compra é, literalmente, uma janela extra no menu principal. Esse tipo de situação gera confusão, pois não há distinção visual clara entre as interfaces.
Imagem: Fabula Brasillis
Também fazem falta opções de personalização do controle, como um atalho para coletar itens dos inimigos. São melhorias de qualidade de vida que poupariam muitas interações repetitivas.
A localização brasileira e o uso de inteligência artificial
Outro aspecto que prejudica consideravelmente a experiência é a localização para o português brasileiro.
Encontrei frases pouco naturais ou difíceis de compreender, textos truncados e trechos que ultrapassam a interface. Em um RPG dependente de diálogos e missões, esses erros dificultam a orientação e não apenas a leitura.

A tradução do jogo, infelizmente, deixa muito a desejar, com diálogos duros e sem sentido.
Imagem: Fabula Brasillis
A Honor Games declara na Steam que utilizou redes neurais para traduzir o jogo para todos os idiomas, exceto o russo. Também informa o uso de IA nas cartas de Koschuny, um minijogo presente no jogo, e parcialmente na arte da capa, retocada depois por um artista. A tecnologia, por si só, não determina a qualidade de uma tradução. No entanto, o português brasileiro de YAR precisava de revisão e testes mais rigorosos. A desenvolvedora citou o volume de texto e limitações de recursos para justificar a escolha.
Restrições orçamentárias são compreensíveis, mas não dispensam uma localização funcional. Não sabemos quais etapas de revisão ocorreram; os problemas encontrados mostram apenas que não foram suficientes. Com tantos diálogos e sistemas, uma tradução deve comunicar instruções com clareza e preservar o contexto. É frustrante ver uma ambientação culturalmente interessante prejudicada por erros de texto.
Uma revisão completa do português brasileiro, acompanhada de testes dentro do próprio jogo, deveria ser prioridade. A responsabilidade pelo resultado final é de quem produz e publica o título, independentemente das ferramentas utilizadas.
Trilha sonora e ambientação
A trilha sonora é simples, mas eficiente, acompanhando a exploração sem tentar soar grandiosa. Junto aos sons naturais, ajuda a dar identidade às regiões. Alguns efeitos, porém, soam deslocados: um canto semelhante ao de um cuco parecia me perseguir pela floresta. A repetição chama a atenção, embora não comprometa o conjunto.
Bom desempenho, mas com problemas técnicos
Na versão testada de PlayStation 5, não percebi quedas constantes de desempenho ou lentidão significativa durante exploração e combates, mas há falhas técnicas.
Alguns NPCs surgem caindo do céu quando são carregados. Em diálogos, a câmera também pode se aproximar demais e deixar os modelos dos personagens ocuparem quase toda a tela.

Problemas de foco da câmera são comuns ao conversar com NPCs em locais apertados.
Imagem: Fabula Brasillis
Os salvamentos automáticos provocam congelamentos momentâneos. Não arruínam a aventura, mas deixam clara a necessidade de mais polimento.
Pontos positivos
- Mundo aberto rico em atividades e exploração.
- Ambientação inspirada na mitologia e no folclore eslavos.
- Grande quantidade de missões secundárias.
- Atributos que influenciam missões, abertura de baús e outras interações.
- Sistemas de mineração, fabricação e construção.
- Liberdade para explorar e desenvolver o personagem.
- Trilha sonora simples, mas eficiente.
- Desempenho geral satisfatório no PS5.
Pontos negativos
- Combate pouco fluido e movimentação rígida.
- Comandos de salto e esquiva que podem provocar ações indesejadas.
- Falta de tutoriais e explicações sobre evolução e atributos.
- Mapas rudimentares e ferramentas insuficientes para acompanhar as missões.
- Interface excessivamente dependente do cursor no PS5.
- Falta de opções práticas para vender itens e personalizar comandos.
- Localização brasileira com erros de tradução e problemas de apresentação.
- Bugs no carregamento de NPCs, problemas de câmera e interrupções durante os salvamentos automáticos.
Veredito

YAR: Forgotten Throne apresenta boas ideias, mas a falta de tutoriais, os controles pouco refinados, a interface confusa e os problemas de localização acabam prejudicando uma experiência que poderia ser muito melhor.
Na versão de PlayStation 5, utilizada nesta análise, essas limitações são agravadas pela dependência excessiva de um cursor para navegar pelos menus e pela adaptação pouco intuitiva dos comandos. Por esses motivos, não recomendamos YAR: Forgotten Throne no PS5 em seu estado atual. YAR tem potencial e consegue entreter, mas precisa de mais polimento e melhorias de qualidade de vida para aproveitar suas boas ideias.
No PC, pode valer uma chance para quem aprecia o gênero e tolera suas limitações. Já na versão de PlayStation 5, recomendamos aguardar por atualizações.
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