Final Fantasy I–VI Pixel Remaster reúne os seis primeiros capítulos de uma das franquias mais importantes dos RPGs japoneses em versões modernizadas, com novos gráficos, trilhas rearranjadas, melhorias de qualidade de vida e tradução oficial para o português do Brasil. Nesta análise, veremos no que a coletânea acerta ao preservar esses clássicos, o que ficou de fora em relação a relançamentos anteriores e se ela realmente é a melhor forma de conhecer essa fase da série.
FINAL FANTASY I-VI PIXEL REMASTER
Dados básicos

- Desenvolvedora
- Square Enix
- Distribuidora
- Square Enix
- Gênero
- RPG
- Jogadores
- 1
- Plataformas
- Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox Series X|S, PC, iOS e Android
- Lançamento
- 2021-2022 (Steam, iOS e Android), 19 de abril de 2023 (PlayStation 4 e Nintendo Switch) e 26 de setembro de 2024 (Xbox Series X|S e Windows).*
- Versão analisada
- PlayStation 5
*Versões lançadas até o momento da criação da postagem.
Uma coletânea de respeito
Poucas franquias tiveram uma evolução tão marcante em seus primeiros anos quanto Final Fantasy. Entre o lançamento do primeiro título, em 1987, e Final Fantasy VI, em 1994, a série passou de uma aventura relativamente simples sobre quatro Guerreiros da Luz para histórias muito mais ambiciosas, com grandes elencos, sistemas complexos de desenvolvimento e alguns dos momentos mais marcantes da história dos JRPGs.
Antes do Pixel Remaster, a Square já havia revisitado boa parte desse legado no primeiro PlayStation. No Japão, Final Fantasy IV, V e VI foram reunidos em Final Fantasy Collection, lançado em 1999. No Ocidente, esses relançamentos foram distribuídos de maneiras diferentes. Final Fantasy Anthology, lançado na América do Norte em 1999, reuniu Final Fantasy V e Final Fantasy VI, enquanto a edição europeia trouxe uma combinação diferente, formada por Final Fantasy IV e Final Fantasy V. Essas versões permaneciam bastante próximas dos jogos originais, mas acrescentavam extras como galerias de arte, bestiários e novas sequências de abertura e encerramento em computação gráfica.
Em 2001, a América do Norte recebeu ainda Final Fantasy Chronicles, outra coletânea para PlayStation que reuniu Final Fantasy IV e Chrono Trigger. Assim como Anthology, ela ajudou a tornar títulos anteriormente difíceis de encontrar mais acessíveis ao público ocidental, embora as conversões para CD também trouxessem limitações, como tempos de carregamento. Os dois primeiros jogos da série também chegaram ao PlayStation pouco depois. Lançado originalmente no Japão em 2002 como Final Fantasy I & II Premium Package e no Ocidente em 2003 sob o nome Final Fantasy Origins, o pacote reuniu novas versões de Final Fantasy e Final Fantasy II. Baseadas nos relançamentos para WonderSwan Color, elas apresentavam gráficos redesenhados, trilhas sonoras rearranjadas, novas sequências em FMV, galerias com ilustrações de Yoshitaka Amano e outras melhorias de apresentação e jogabilidade.
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Capas das coletâneas de PlayStation, lançadas há mais de 20 anos.
Imagem: reprodução da internet
Esses relançamentos ajudaram a preservar e apresentar os primeiros capítulos da franquia a uma nova geração, mas ainda estavam distribuídos entre diferentes coletâneas e regiões. Final Fantasy I–VI Pixel Remaster surge décadas depois com uma ambição muito mais abrangente. Mais do que simplesmente colocar seis jogos antigos nas plataformas atuais, a Square Enix redesenhou gráficos, rearranjou as trilhas sonoras, modernizou interfaces e acrescentou diversas opções de qualidade de vida, procurando, ao mesmo tempo, preservar a estrutura das versões originais.
É uma abordagem que funciona especialmente bem porque não tenta esconder a idade desses jogos. Final Fantasy I continua sendo um RPG bastante simples, Final Fantasy II ainda possui algumas das ideias mais peculiares da série, Final Fantasy III introduz conceitos que seriam desenvolvidos durante décadas, Final Fantasy IV representa uma enorme evolução narrativa, Final Fantasy V leva a personalização do grupo a outro nível e Final Fantasy VI encerra a coletânea mostrando até onde a Square conseguiu levar a série durante a era 2D.
O resultado é quase uma linha do tempo jogável da evolução de Final Fantasy. E, embora nem sempre ofereça a versão mais completa de cada título, Pixel Remaster representa uma iniciativa moderna de tratar os seis primeiros jogos como um conjunto coeso, padronizando sua apresentação e tornando essa fase fundamental da franquia muito mais acessível.
Melhorias do Pixel Remaster
As novas versões acrescentam recursos que tornam os jogos muito mais confortáveis para o público atual. É possível desativar encontros aleatórios, utilizar multiplicadores de experiência e outras recompensas, alternar entre fontes diferentes, utilizar batalha automática e escolher entre a nova trilha sonora e músicas baseadas nas versões originais. Há ainda outras adições, como minimapas, salvamento automático, salvamento rápido, bestiário, galeria de ilustrações e reprodutor de músicas. Após diferentes atualizações, as principais opções foram disponibilizadas em todas as plataformas.

O bestiário contém todas as informações necessárias sobre cada monstro.
Imagem: captura de tela de Final Fantasy I, Square Enix
O mais importante é que grande parte desses recursos é opcional. Quem deseja uma experiência próxima da original pode simplesmente ignorá-los. Já quem quer conhecer as histórias sem passar horas desenvolvendo personagens pode acelerar a progressão. Até os encontros aleatórios podem ser temporariamente desativados.
Outro ponto especialmente importante para o público brasileiro é que todos os seis jogos contam oficialmente com tradução para o português do Brasil. Menus, diálogos, descrições de itens, habilidades e demais textos foram localizados, permitindo que toda essa primeira fase da franquia possa ser jogada em nosso idioma dentro de uma mesma coleção. Além de facilitar o acesso para novos jogadores, a localização também estabelece em português diversos termos, nomes de equipamentos, magias, profissões e outros elementos presentes desde os primeiros títulos da série.

A tradução oficial dos jogos para o português do Brasil também é uma ótima forma de aproximar novos jogadores.
Imagem: captura de tela de Final Fantasy I, Square Enix
Isso torna o Pixel Remaster particularmente eficiente em uma tarefa difícil: modernizar jogos antigos sem substituir completamente seus sistemas originais.
Conteúdo dos jogos
São seis RPGs completos, o que naturalmente representa uma quantidade considerável de conteúdo. Além das campanhas, há áreas opcionais, equipamentos, magias, inimigos para registrar no bestiário e diferentes possibilidades de desenvolvimento do grupo. Final Fantasy I e Final Fantasy III possuem sistemas que incentivam experimentar diferentes composições, enquanto Final Fantasy V oferece enorme liberdade graças às profissões. Final Fantasy VI também possui bastante conteúdo opcional e um elenco considerável para desenvolver.
Existe, porém, uma ausência difícil de ignorar. Os Pixel Remasters foram desenvolvidos tomando como referência as versões originais e não incorporam todo o conteúdo acrescentado aos diferentes relançamentos ao longo dos anos.
Isso significa, por exemplo, a ausência das masmorras de Soul of Chaos, adicionadas a Final Fantasy I & II: Dawn of Souls, no Game Boy Advance, e do Labyrinth of Time, incluído posteriormente na versão de 20º aniversário de Final Fantasy I para PSP. Em Final Fantasy II, ficaram de fora a campanha pós-jogo Soul of Rebirth, também introduzida em Dawn of Souls, além dos Arcane Labyrinths e do Arcane Sanctuary da edição de 20º aniversário para PSP.
Final Fantasy III não inclui elementos criados para o remake 3D de Nintendo DS, como os protagonistas Luneth, Arc, Refia e Ingus, o sistema Mognet, missões secundárias adicionais, equipamentos de maestria e o superchefe Iron Giant.
Em Final Fantasy IV, estão ausentes a possibilidade de trocar os membros do grupo no fim do jogo, a Cave of Trials e as Lunar Ruins, introduzidas em Final Fantasy IV Advance e posteriormente mantidas na versão de PSP, além de elementos exclusivos do remake 3D, como o sistema de melhorias e os superchefes Geryon e Proto-Babil.
Final Fantasy V deixa de fora as profissões de Gladiador, Canhoneiro, Oráculo e Necromante, além da Sealed Temple, do Cloister of the Dead e de chefes como Enuo, Neo Shinryu e Omega Mk. II, conteúdos originalmente adicionados em Final Fantasy V Advance e preservados nos antigos relançamentos para dispositivos móveis e PC.
Por fim, Final Fantasy VI não traz a Dragon’s Den, o desafio Soul Shrine, chefes como Kaiser Dragon e Omega Weapon, nem os Espers adicionais Leviathan, Cactuar, Gilgamesh e Diabolos, introduzidos em Final Fantasy VI Advance e mantidos em relançamentos posteriores anteriores ao Pixel Remaster.
Nada disso prejudica as campanhas originais, é claro, mas mantém de fora vários conteúdos que permanecem presos a versões de difícil acesso em plataformas atuais. Para quem deseja conhecer as experiências originais modernizadas, isso provavelmente terá pouca importância. Para veteranos que esperavam uma coleção capaz de substituir todas as versões anteriores, a ausência é muito mais significativa.
Visual e arte
A decisão de preservar a identidade 2D é um dos grandes trunfos da coletânea. Em vez de simplesmente aumentar a resolução dos jogos antigos, a Square Enix redesenhou sprites e cenários, mantendo uma linguagem visual compatível com suas origens. A produção contou, inclusive, com a colaboração de Kazuko Shibuya, artista responsável por sprites dos títulos clássicos.

Os fundos de batalha foram mais trabalhados.
Imagem: captura de tela de Final Fantasy V, Square Enix
Os primeiros jogos são provavelmente os que mais se beneficiam. Cenários antes simples ganham mais detalhes, enquanto fundos de batalha ajudam a diferenciar regiões e ambientes. Nos títulos originalmente lançados para Super Famicom, especialmente Final Fantasy V e Final Fantasy VI, a mudança pode ser mais subjetiva. A pixel art original já era extremamente bela, e alguns jogadores certamente continuarão preferindo determinados sprites, cores ou detalhes das versões antigas.
Ainda assim, existe uma consistência visual muito maior ao jogar os seis títulos em sequência. Final Fantasy VI também recebe atenção especial em algumas cenas. A famosa apresentação da ópera, por exemplo, foi reformulada com novos elementos visuais, animações e vocais. O resultado não tenta transformar os jogos em produções modernas: eles continuam parecendo RPGs clássicos em 2D, exatamente como deveriam, mas agora possuem gráficos refinados para as plataformas atuais.
Áudio e Trilha Sonora
Se existe um aspecto em que o Pixel Remaster se aproxima de ser incontestável, é a música. As trilhas dos seis jogos receberam novos arranjos produzidos sob supervisão de Nobuo Uematsu, compositor responsável pelas músicas originais, e o resultado é excelente.
Temas que já eram memoráveis ganham instrumentação mais rica sem abandonar as melodias responsáveis por torná-los reconhecíveis. O impacto naturalmente aumenta conforme a série avança e as próprias composições originais se tornam mais ambiciosas, fazendo de Final Fantasy IV, V e especialmente VI verdadeiros destaques.
A implementação atual ainda resolve um dos principais dilemas de qualquer remasterização musical: quem prefere a sonoridade clássica pode alternar para a trilha baseada na versão original. Essa opção, inicialmente ausente em algumas plataformas, hoje está disponível em todas as versões principais.
Há também um reprodutor de músicas que permite ouvir as faixas fora da aventura. É difícil apontar outro elemento da coleção que represente tão bem a proposta do Pixel Remaster: respeitar o material original sem deixar de oferecer algo novo.
Performance
Tecnicamente, são jogos relativamente simples, e a experiência geral é estável. As atualizações também melhoraram a experiência do jogador, principalmente com a adição da nova opção de fonte.
Considerações finais
Final Fantasy I–VI Pixel Remaster é especialmente recomendado para quem deseja conhecer as origens da franquia, para jogadores que gostam de RPGs clássicos e fãs antigos interessados em revisitar esses títulos com uma apresentação mais moderna e diversas melhorias de qualidade de vida. Também é uma excelente porta de entrada para quem conheceu Final Fantasy por meio de títulos mais recentes e tem curiosidade de descobrir de onde vieram elementos como os cristais, as profissões, os chocobos, os moogles, as magias, as invocações e tantos outros conceitos que se tornaram parte da identidade da série.
Talvez não agrade tanto a jogadores que tenham pouca tolerância a encontros aleatórios, exploração baseada em pistas e diálogos, sistemas de RPG antigos ou batalhas relativamente simples, principalmente nos três primeiros jogos, embora várias opções do próprio Pixel Remaster consigam amenizar esses problemas. Veteranos que procuram as versões com a maior quantidade possível de conteúdo também precisam considerar que diversos elementos presentes em relançamentos anteriores não foram incorporados à coleção.
Pontos positivos
- Pixel art modernizada sem abandonar a identidade dos jogos
- Excelente trabalho de rearranjo das trilhas sonoras
- Melhorias de qualidade de vida
- Tradução oficial para o português do Brasil
- Modificadores opcionais que permitem personalizar a experiência
- Bestiário, galeria de ilustrações e reprodutor de músicas
Pontos negativos
- Ausência de diversos conteúdos acrescentados em versões de GBA, PSP e outros relançamentos
Veredito

Final Fantasy I–VI Pixel Remaster vai além de simplesmente reunir seis RPGs clássicos: a coletânea permite acompanhar a evolução da própria franquia, desde as bases estabelecidas no primeiro jogo até a ambição narrativa e técnica de Final Fantasy VI.
A remasterização preserva bem a identidade dos originais, com novos gráficos em pixel art, trilhas rearranjadas e recursos modernos que tornam a experiência mais acessível sem obrigar veteranos a abandonar a forma clássica de jogar. A principal ausência está no conteúdo adicional de relançamentos anteriores, como masmorras, chefes, profissões e outros extras, o que impede o Pixel Remaster de ser considerado a versão mais completa de todos os jogos.
Ainda assim, como conjunto, é uma das melhores formas de descobrir (ou redescobrir) os títulos que estabeleceram os alicerces de Final Fantasy.
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